Ser. Estar. Viver melhor com muito menos. Os clichés dos tempos atuais que não passam do papel ganharam um novo sentido. O sentido da vida. Pensar no que nos move. O que realmente importa, o que faz diferença. Colocar tudo em perspectiva quando as certezas se transformam num mar de dúvidas.
São lições duras de aprender, principalmente quando a mudança é forçada pelas circunstâncias. Mas a vida encarrega-se de mostrar que a lógica está na simplicidade. Basta atentar no óbvio e deixar correr.
Dois anos de interregno. Um turbilhão de emoções. Uma reviravolta do tamanho do universo. Aprender que é bom viver cada segundo. Saborear momentos. Agradecer cada conquista. Valorizar o aqui e o agora. Há males que vêm por bem e este empurrão confirma que viver ao relentim pode ser uma coisa boa.
Para já é assim. Daqui a pouco logo se vê. Sem pressas, nem sobressaltos. As certezas voltarão um dia, sei que sim. Mas por agora contento-me com esta incerteza de saber que assim também posso ser feliz. De uma outra maneira, que desconhecia mas que me vai preenchendo e ensinando a olhar com olhos de ver.
Como dizia um dos mestres “Se podes olhar vê, se podes ver, repara”.
E como é que eu li isto tantas vezes e não vi antes? Agora tudo faz sentido!
Quase33
terça-feira, 2 de junho de 2015
terça-feira, 30 de julho de 2013
A janela da cozinha da minha mãe...
É virada ao sol, espreita uma praceta sem saída, onde as pessoas circulam sem pressas.
Respira-se um ambiente de bairro. Hoje as caras estão cravadas de rugas, marcas do tempo que passou, provas de uma vida recheada de contrariedades.
Pela mão levam os netos, único sinal de juventude naquelas paragens.
Da janela da cozinha da minha mãe vê-se o parque infantil, antes encharcado de areia que preenchia pequenos quadrados ladeados de cimento onde se dividiam as brincadeiras: num o escorrega, noutro os baloiços, noutro os ferrinhos onde se faziam cambalhotas.
Havia gargalhadas, bocas sujas de gelado, joelhos rasgados pelas quedas mais ou menos aparatosas das tardes inteiras passadas na rua. Havia vizinhos que se tornavam amigos e amigos que se descobriam porta com porta.
A janela da porta da cozinha da minha mãe dá acesso à varanda onde a sua voz ecoava quando me chamava para jantar. Era um coro pegado de mães, uma música boa que punha fim a um dia cheio quando o corpo gritava exaustão em tardes que se prolongavam até ser noite. Era hora de pedinchar: "só mais um bocadinho, por favor!", clamávamos.
Hoje a areia transformou-se em betão, os baloiços deram lugar a cordas entrelaçadas e pneus de carros pendurados. Perdeu-se a cor e o movimento. Já não se ouve o amolador nem o carrinho de gelados. Perdeu-se a graça porque se perderam as crianças.
Hoje reina o silêncio, apenas intercalado pelas passadas vagarosas dos avós que de quando em vez se amparam nos netos.
A janela da cozinha da minha mãe continua de cortinado arredado sempre que é altura de passar a ferro. Ela continua a cantarolar da mesma forma doce e desafinada as músicas com que me acordava todas as manhãs.
O encanto está lá mas apenas porque as recordações continuam vivas...
Respira-se um ambiente de bairro. Hoje as caras estão cravadas de rugas, marcas do tempo que passou, provas de uma vida recheada de contrariedades.
Pela mão levam os netos, único sinal de juventude naquelas paragens.
Da janela da cozinha da minha mãe vê-se o parque infantil, antes encharcado de areia que preenchia pequenos quadrados ladeados de cimento onde se dividiam as brincadeiras: num o escorrega, noutro os baloiços, noutro os ferrinhos onde se faziam cambalhotas.
Havia gargalhadas, bocas sujas de gelado, joelhos rasgados pelas quedas mais ou menos aparatosas das tardes inteiras passadas na rua. Havia vizinhos que se tornavam amigos e amigos que se descobriam porta com porta.
A janela da porta da cozinha da minha mãe dá acesso à varanda onde a sua voz ecoava quando me chamava para jantar. Era um coro pegado de mães, uma música boa que punha fim a um dia cheio quando o corpo gritava exaustão em tardes que se prolongavam até ser noite. Era hora de pedinchar: "só mais um bocadinho, por favor!", clamávamos.
Hoje a areia transformou-se em betão, os baloiços deram lugar a cordas entrelaçadas e pneus de carros pendurados. Perdeu-se a cor e o movimento. Já não se ouve o amolador nem o carrinho de gelados. Perdeu-se a graça porque se perderam as crianças.
Hoje reina o silêncio, apenas intercalado pelas passadas vagarosas dos avós que de quando em vez se amparam nos netos.
A janela da cozinha da minha mãe continua de cortinado arredado sempre que é altura de passar a ferro. Ela continua a cantarolar da mesma forma doce e desafinada as músicas com que me acordava todas as manhãs.
O encanto está lá mas apenas porque as recordações continuam vivas...
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Formigas no quarto.. Acampamento na sala!
Há três noites que é assim.
O encontro imediato de primeiro grau aconteceu na terça-feira de manhã.
Ainda meio ensonada, olho meio aberto, olho meio fechado vi uma, depois outra e mais outra. Esfreguei os olhos, voltei a olhar para o chão da WC e lá estavam. Corri a inspecionar o quarto onde ainda dormia a miúda.
Era verdade. Tinham levado amigos e parentes para passar umas férias sem fazer pré-reserva ou discutir formas de pagamento: as formigas estavam alojadas na nossa casa.
Amante confessa da vida do campo, o contacto com a natureza termina no momento em que isso implica dividir a cama com bichos. Aliás, qualquer outra parte da casa (tornei-me picuinhas com a idade mas isso dará outro post).
Peguei no papel higiénico e comecei desvairada a aniquilar todas a as amiguinhas (quem me conhece sabe que me transfiguro nestas alturas).
Saí de casa a pensar que teria sido um episódio isolado, quem sabe um biberão mal fechado numa noite destas. Soube entretanto que o problema é geral nos prédios vizinhos.
No regresso corri para saber e ver: havia mais. Não muitas mas havia.
Comecei a desviar móveis, a tirar gavetas, a por roupa a lavar. Quando dei por mim tinha a mobília toda de pantanas. Fiz quatro máquinas de roupa. Fui ao supermercado comprar o produto biológico que supostamente é inofensivo para humanos. Borrifei tudo.
Ontem voltaram, desta vez na varanda.
Hoje não dei conta delas mas pelo sim pelo não vamos prolongar a estadia na sala (nós em colchões tripartidos, ela na cama de viagem).
É que já que o quarto está do avesso, aproveita-se para fazer as limpezas de Verão e quiçá, mudar a cor das paredes :-))
O encontro imediato de primeiro grau aconteceu na terça-feira de manhã.
Ainda meio ensonada, olho meio aberto, olho meio fechado vi uma, depois outra e mais outra. Esfreguei os olhos, voltei a olhar para o chão da WC e lá estavam. Corri a inspecionar o quarto onde ainda dormia a miúda.
Era verdade. Tinham levado amigos e parentes para passar umas férias sem fazer pré-reserva ou discutir formas de pagamento: as formigas estavam alojadas na nossa casa.
Amante confessa da vida do campo, o contacto com a natureza termina no momento em que isso implica dividir a cama com bichos. Aliás, qualquer outra parte da casa (tornei-me picuinhas com a idade mas isso dará outro post).
Peguei no papel higiénico e comecei desvairada a aniquilar todas a as amiguinhas (quem me conhece sabe que me transfiguro nestas alturas).
Saí de casa a pensar que teria sido um episódio isolado, quem sabe um biberão mal fechado numa noite destas. Soube entretanto que o problema é geral nos prédios vizinhos.
No regresso corri para saber e ver: havia mais. Não muitas mas havia.
Comecei a desviar móveis, a tirar gavetas, a por roupa a lavar. Quando dei por mim tinha a mobília toda de pantanas. Fiz quatro máquinas de roupa. Fui ao supermercado comprar o produto biológico que supostamente é inofensivo para humanos. Borrifei tudo.
Ontem voltaram, desta vez na varanda.
Hoje não dei conta delas mas pelo sim pelo não vamos prolongar a estadia na sala (nós em colchões tripartidos, ela na cama de viagem).
É que já que o quarto está do avesso, aproveita-se para fazer as limpezas de Verão e quiçá, mudar a cor das paredes :-))
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Primeira vez...
Há sempre. Para tudo.
No corrupio dos dias, no amontoar dos afazeres impostos pela organização do baptizado/festa de anos da bebé, com muitos imprevistos pelo meio, decidi recorrer aos serviços de limpeza de uma empresa.
Num minuto estava a pesquisar várias opções, pouco depois recebia um telefonema e pronto, agendamento feito.
Com o pai e a criança em casa, duas senhoras (que não cheguei a conhecer) prometiam deixar o lar num brinco.
Reticente mas desesperada, acreditei. Preparei tudo de véspera de modo a facilitar a vida às fadinhas profissionais: lençóis para mudar, brinquedos mais ou menos arrumados na caixa para não haver desculpas. Indicações claras para resultados optimizados.
Era a ideia. Ao fim de duas horas e meia, a factura e um resumo ao telefone: “está limpa mas nada que se compare com a que tu fazes”.
É daqueles elogios que saberia melhor ouvir se não tivesse acabado de largar a nota.
Ver para crer. Tudo certo mas então lavar o chão com aguinha e detergente não? Não. Só mopa em tudo e mais alguma coisa. No dia seguinte passei a esfregona no chão do quarto. Quando a espuma se sumiu lá estava ele a repousar bem no fundinho: o cotão que as senhoras não quiseram levar...
No corrupio dos dias, no amontoar dos afazeres impostos pela organização do baptizado/festa de anos da bebé, com muitos imprevistos pelo meio, decidi recorrer aos serviços de limpeza de uma empresa.
Num minuto estava a pesquisar várias opções, pouco depois recebia um telefonema e pronto, agendamento feito.
Com o pai e a criança em casa, duas senhoras (que não cheguei a conhecer) prometiam deixar o lar num brinco.
Reticente mas desesperada, acreditei. Preparei tudo de véspera de modo a facilitar a vida às fadinhas profissionais: lençóis para mudar, brinquedos mais ou menos arrumados na caixa para não haver desculpas. Indicações claras para resultados optimizados.
Era a ideia. Ao fim de duas horas e meia, a factura e um resumo ao telefone: “está limpa mas nada que se compare com a que tu fazes”.
É daqueles elogios que saberia melhor ouvir se não tivesse acabado de largar a nota.
Ver para crer. Tudo certo mas então lavar o chão com aguinha e detergente não? Não. Só mopa em tudo e mais alguma coisa. No dia seguinte passei a esfregona no chão do quarto. Quando a espuma se sumiu lá estava ele a repousar bem no fundinho: o cotão que as senhoras não quiseram levar...
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Em Abril, andamos a 1000
Regresso a casa. Ir ao hospital. Tudo melhor.
Marcar pediatra. Ir à pediatra.
Lembrar de ligar para Estefânia. Rotina.
Conhecer nova médica de família da C.
A mãe também regressa ao Doutor. Medicina do trabalho.
Carro com barulho estranho. Marcar oficina. Next week.
Tratar do IRS dos papás. Falta palavra-passe. Ir às finanças.
Contactar empresas de condomínio, de limpeza, pedir orçamentos, agendar reunião. (este ano calhou-nos a nós a fava)
Procurar restaurantes.. contactar, ver e ponderar opções. Falar com padre, definir data do batizado. Começar a pensar nos convites, no vestido, na vela e na toalha. Fazer contas. Arranjar tempo.
Trabalhar até cair para o lado. Manter a casa num brinco.
Experimentar gel na nova cabeleireira lá do bairro.
Dormir muito pouco. Olheiras a beijar os pés.
Abril tem sido assim...
Marcar pediatra. Ir à pediatra.
Lembrar de ligar para Estefânia. Rotina.
Conhecer nova médica de família da C.
A mãe também regressa ao Doutor. Medicina do trabalho.
Carro com barulho estranho. Marcar oficina. Next week.
Tratar do IRS dos papás. Falta palavra-passe. Ir às finanças.
Contactar empresas de condomínio, de limpeza, pedir orçamentos, agendar reunião. (este ano calhou-nos a nós a fava)
Procurar restaurantes.. contactar, ver e ponderar opções. Falar com padre, definir data do batizado. Começar a pensar nos convites, no vestido, na vela e na toalha. Fazer contas. Arranjar tempo.
Trabalhar até cair para o lado. Manter a casa num brinco.
Experimentar gel na nova cabeleireira lá do bairro.
Dormir muito pouco. Olheiras a beijar os pés.
Abril tem sido assim...
Report...
A miúda foi conhecer a bisavó. Stop.
Ambiente puro, turismo rural, dias de férias tirados, tralha no carro. Tudo organizado ao milimetro. Stop.
A miúda ficou doente. Stop.
Passámos uma tarde/noite no hospital. Na manhã seguinte toca de regressar. Stop.
Nove meses a planear tudo como deve de ser e é isto.
Que las hay, hay...
Não acreditam? Eu acredito!
Ambiente puro, turismo rural, dias de férias tirados, tralha no carro. Tudo organizado ao milimetro. Stop.
A miúda ficou doente. Stop.
Passámos uma tarde/noite no hospital. Na manhã seguinte toca de regressar. Stop.
Nove meses a planear tudo como deve de ser e é isto.
Que las hay, hay...
Não acreditam? Eu acredito!
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Tic Tac
Adaptar para conquistar, resolver, solucionar, concretizar.
São palavras que nos últimos tempos fazem parte do meu dicionário. Para já não passam disso mesmo. Mas a realidade exige que a prática se sobreponha à mera teoria.
É possível mas requer método conciliar um trabalho e meio, com a rotina familiar agora enriquecida com uma bebé e tudo o que tal implica física e psicologicamente. Estar a trabalhar preocupada com a pequena, estar com a pequena e constatar que o tempo voa e cada vez sobra menos para organizar o trabalho. A culpa "é uma cena que me assiste" de momento, onde parece que preciso sempre de estar onde não estou.
Estava inocentemente convencida de que tudo ia ao lugar naturalmente mas admito que terei de calendarizar, programar e cumprir à risca.
Não é fácil. Habituada a trabalhar sob pressão, a fazer sempre tudo à última e a ter a consciência que só assim tudo me sai bem, vou ter de aprender a antecipar, a gerir, para que me sobre tempo, esse malandro que se me escapa por entre os dedos.
Para fazer esticar os dias, parar o relógio e ter tempo para mim, para os meus, para as manias, para as responsabilidades e obrigações, para os passatempos, para que tudo e nada possam caber em 24 horas.
São palavras que nos últimos tempos fazem parte do meu dicionário. Para já não passam disso mesmo. Mas a realidade exige que a prática se sobreponha à mera teoria.
É possível mas requer método conciliar um trabalho e meio, com a rotina familiar agora enriquecida com uma bebé e tudo o que tal implica física e psicologicamente. Estar a trabalhar preocupada com a pequena, estar com a pequena e constatar que o tempo voa e cada vez sobra menos para organizar o trabalho. A culpa "é uma cena que me assiste" de momento, onde parece que preciso sempre de estar onde não estou.
Estava inocentemente convencida de que tudo ia ao lugar naturalmente mas admito que terei de calendarizar, programar e cumprir à risca.
Não é fácil. Habituada a trabalhar sob pressão, a fazer sempre tudo à última e a ter a consciência que só assim tudo me sai bem, vou ter de aprender a antecipar, a gerir, para que me sobre tempo, esse malandro que se me escapa por entre os dedos.
Para fazer esticar os dias, parar o relógio e ter tempo para mim, para os meus, para as manias, para as responsabilidades e obrigações, para os passatempos, para que tudo e nada possam caber em 24 horas.
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